Domingo, 27 de Abril de 2008
«Não vou repetir o que aqui afirmei o ano passado», referiu o Presidente da República, na 34ª Sessão Comemorativa do 25 de Abril. «Apenas direi que me impressiona que muitos jovens não saibam sequer o que foi o 25 de Abril, nem o que significou para Portugal».

Comentando este discurso há quem escreva sobre a «revolta silenciosa dos jovens cidadãos» e entenda que o Presidente «acertou na mouche ao dedicar ao alheamento dos jovens portugueses da coisa política o seu discurso comemorativo de mais um aniversário do 25 de Abril».

Mas também há quem lembre os «dez anos em que governou esta democracia, pelo dinheiro que recebeu para o fazer e pelos tostões que então investiu na educação dessa gente jovem. Parece que ficaram todos enterrados debaixo de betão ou nas malas dos jipes dos agricultores portugueses que estacionam em cima dos passeios.»

Ingratos! Se é verdade que os jovens não fazem ideia de como era nos tempos «da outra senhora», é igualmente verdade que sem o betão, o alcatrão e os jipes, produto desses dez anos de governação, terras recônditas como Vila Real nunca chegariam a figurar nas notícias de última hora a propósito da actividade nacional emergente, o «carjacking». E viva o «progresso»!



publicado por Nicolina Cabrita às 23:38 | link do post | comentar

1 comentário:
De Anónimo a 14 de Maio de 2008 às 02:31
Meus Amigos,



A ingratidão é, de facto, apanágio dos ingratos, uma figura de papel não diria melhor. Acrescentaria que somos tendencialmente ingratos por tudo e por nada. Somos ingratos quando temos, somos ingratos quando não temos, somos ingratos quando deveriamos de ser gratos e por aí adiante.



O problema a meu ver, padecendo de alguma miopia, é que, quiçá, a questão da ingratidão, ou da gratidão, esteja mal colocada. Senão vejamos.



Em rigor, em democracia, o povo tem de agradecer a quem? Partindo do velho princípio que sem ovos não se fazem gemadas, se porventura as ditas foram feitas, só pode ter sido graças aos ovos. Logo, a gratidão, se existir, deve ser dirigida para os ovos, ou para os melões, ou melhor para todos os que contribuiram para que os ditos fossem servidos.



Poder-se-á dizer que fulano, ou sicrano, administrou bem a gestão dos ovos ou dos melões, mas não deve confudir-se o gestor com os referidos produtos.



Este discurso arredondado para dizer que, bem vistas as coisas, não somos ingratos, quando muito gostamos de andar a atirar com ovos e melões à cara uns dos outros, à falta de melhor substituto. Esse pormenor da falta de esclarecimento da juventude é mais um ovo, ou um melão atirado ao ar, com a particularidade de ter provindo dum homem que sempre se afirmou apolítico, ou pouco conhecedor ou amante da política, ou pouco atreito à política, ou pouco vocacionado para os meandros da política, ou pouco à vontade nos bastidores da política, ou pouco entusiasmado com as coisas da política, e outras minudências da política, e que pelos vistos fez escola junto da malta nova.



Verdade seja dita tem mais piada um ovo partido na cabacinha dum patrício do que ouvir os discursos com evidente falta de sentido político, né?



Abraços



Gil Teixeira


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